A décima fase da Semana da Conciliação Itinerante iniciou-se nessa segunda-feira (9), no Fórum Trabalhista de Guarulhos-SP. Atender à demanda por audiências de conciliação, mediadas por conciliadores e equipe especializada fora das varas, nos fóruns fora da sede: essa é a proposta desse projeto do TRT da 2ª Região.

Desenvolvidas pelo Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Disputas (Nupemec-JT2), as Semanas expandem a Política de Pacificação de Conflitos para além dos cinco centros judiciários de solução de conflitos (Cejuscs) instalados, nos Fóruns Ruy Barbosa (Cejusc-Sede), Zona Leste (Cejusc-Leste), Santos (Baixada Santista) e Zona Sul (Cejusc-Sul e Cejusc-ABC).

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Na imagem acima, audiências sendo realizadas nas mesas de conciliação;
nas fotos mais abaixo, partes se cumprimentam após chegarem ao acordo

Apoio e ressalvas

Às 13h, começaram as chamadas para as reuniões de conciliação. A servidora Cláudia Aparecida Martins da Silva, lotada no Cejusc-Leste, estava em uma das mesas. Formada no curso de conciliadores de novembro/2017, ela conta que o que aprendeu ali acrescentou muito, e lhe ensinou diversos procedimentos, para conduzir as reuniões de forma mais metódica e menos intuitiva. A advogada Ana Carolina Godoi, pela primeira vez em um evento desses, representava uma empresa com muitas reclamações, e carregava uma planilha com os valores propostos para cada uma delas: “Hoje, farei 23 reuniões de conciliação. E amanhã terá mais”, ela contou.

Já o advogado João de Deus Galdino Ramos tinha bem mais experiência: “São 38 anos de advocacia”, revelou. E apoiou o evento, embora com alguns poréns: “Acho ideal assim: quando uma ou as duas partes cadastram o processo. Mas ser chamado pelo próprio Cejusc lá em São Paulo, não. Ir pra lá é complicado. Eu apoio, desde que a Semana da Conciliação vá até onde os reclamantes estão”. E ainda tinha outra ressalva: “Faltou um ar-condicionado aqui, está muito calor”.

O servidor Nivaldo Aparecido Prattes, da Seção de Administração Predial dos Fóruns da Circunscrição de Guarulhos, explicou: “Providenciamos umidificadores/circuladores de ar para cada uma das mesas de conciliação, e agora conseguimos abrir algumas janelas, para melhorar a circulação de ar. Como as instalações ainda são provisórias, há estes inconvenientes. Mas a desembargadora Cândida (Alves Leão, vice-presidente administrativa do TRT-2 e coordenadora do Nupemec-JT2) esteve aqui, e já há estudos para implantação de instalações definitivas, que terão toda a infraestrutura”.

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Final feliz

Prestes a ser chamada para uma das mesas, a advogada Andrea de Castro opinou: “Acho muito importante essas iniciativas. Advogo mais para empresas, e estes são os momentos em que elas podem se preparar para propor e chegar a um denominador comum. Os contatos são facilitados, e tudo ajuda. É bom para todos, inclusive para a própria Justiça”.

Em sua reunião, que seria a seguinte, ela já tinha nas mãos uma proposta, e conversava com a autora da ação, a montadora Sônia Maria Rodrigues Barbosa, e sua advogada, Karen de Araújo Nunes Bento. Karen disse que explicou minuciosamente os cálculos à sua cliente, comparando a sentença com as verbas oferecidas. Mas o acordo evoluiu além disso, e ela, segundos antes de se sentarem, disse: “A empresa chegou aonde queríamos: pagará o valor líquido integral, e à vista”.

Acordo feito, Sônia disse estar satisfeita. Com o processo correndo há dois anos, ela destacou ainda a oportunidade de “falar as coisas que precisavam ser ditas”. Com um sorriso, contou não ter planos ainda do que fazer com o valor do acordo, e complementou: “Eu sei que cada caso é um caso, mas, para mim, a Justiça do Trabalho funcionou muito bem”.

Texto: Alberto Nannini; Fotos: Fernando Hauschild – Secom/TRT-2